II – eram três da tarde, tinha chego do inglês, liguei para dani, tocou várias vezes – odiava isso: ele esperava a música do toque chegar no refrão.
_oi
_oi, tudo bem?
_tudo sim – disse ele indiferente.
_hm, eu também estou bem! – falei sarcástica. Ele ficou mudo, em seguida falou sorrindo.
_que bom que estamos bem. o que aprontaremos hoje amor? - grande tentativa de descontrair o momento.
_não apronto. Mas você poderia vir aqui em casa, juntos podíamos assistir algum filme.
_só nós? É que eu combinei com o rafa, de bolarmos um teres hoje! – escutei aquilo lentamente, para compreender exatamente como foi dito.
_saia com ele então!
_certeza que você vai ficar brava! – nossa como ele é ingênuo!
É claro que eu fiquei brava, fiquei tão brava que terminamos o namoro naquele dia. Não me importava com as conseqüências, não dava a mínima pra elas. Minha cabeça estava girando, junto a ela tinha mais mil batidas do coração aceleradas de raiva. Não me perdoava por estar com alguém que não se importava comigo, que não queria estar só comigo. O nosso namoro para mim foi uma fria, da qual eu nunca deveria ter entrado. Muito bonito os momentos juntos, muito misericordiosos seus abraços, muito gostoso os beijos. Mas só, só isso eu queria levar daquele namoro.
Foi assim que meu namoro com o Dani acabou, conversamos muito depois desse dia, porem ele achou melhor terminarmos. ele confessou não dar atenção a mim, sua desculpa era que queria me ver feliz - já que ele não teria tanta capacidade para tal feito. depois desse dia já me passou muitos sentimentos: saudade, arrependimento, desconfiança, curiosidade, remorso e mais. Muito mais do que eu esperava. As noites eram muito silenciosas, a contemplação de sonhos alegres e saltitantes não era mais presente em minha vida, sonhos que me davam esperanças de viver o romance dos sonhos, sonhos apenas sonhos. Que não passaram de sonhos.
Hoje eu vivo obcecada pelo abstrato. Não sei por que mais me sinto presa ao nada. Eu não vivo mais sorrindo como antes, eu só quero responder as milhares de perguntas perdidas em meu consciente. Busco a cada dia reconhecer tais para respondê-las. Mas nem isso é possível, nem ao menos isso eu consigo. Vivo em um conflito permanente.
Daniel é uma pessoa única, eu não sei como ele está, não sei aonde está, não sei com quem está. Desejo muito saber dele. Quero fazer parte dele novamente. Mas quando filosofo um pouco, esta opção pára nas paredes do medo - medo de ser como antes.
Então, respiro profundamente e escolho deixar tudo como esta. Ele feliz e eu na agonia de uma felicidade desconhecida por mim – ainda.
Bolas pra frente, têm um destino a ser trilhado pela frente. Vou começar a praticar o ato da ignoração. Vou ignorar qualquer objeto, lembrança que me submeta a infelicidade.
Afinal um amor assim não é tão terrível e tão devastador que não possa ser esquecido.
III –
Acordei muito feliz hoje, prometi a mim que iria passar metade das horas feliz e a outra sorrindo. – um tanto quanto exagerado, só assim pra cumprir.
Cheguei na escola alguns minutos mais cedo, mas o suficiente para ver mais pessoas que o normal. Cumprimentei os de costume. Fui para sala com a Dora, melhor amiga que eles falam? Ela sempre foi muito querida comigo, me afastei dela quando estava namorando, mas já faziam dois meses dos quais nós não nos desgrudamos. Tinham também a Lilá e a Juãna, éramos um quarteto. Estávamos cada vez mais unidas. Segredo não existia no nosso vocabulário – rir, curtir. Quem sabe fizesse parte!
Dora estava lendo sobre vida após a morte, e nesta manhã ela estava me contando sobre algumas histórias verídicas sobre reencarnação. Eu nunca liguei pra isso, mas achava muito interessante aquelas coisas. Dora estava muito interessada no assunto, queria porque queria se encher daquele assunto.
Ela já tinha marcado uma reunião, em um destes centros. Ela pediu minha presença, até que eu concordei, mas tinha certeza, quase que absoluta que minha mãe não aprovaria isto – éramos muito firme na religião tradicional.
Estava aí um bom tema para eu me aventurar. No entanto dediquei meus neurônios a química, adoro cálculos.
O almoço já tinha passado e com ele passou também a lembrança da reunião com Dora.
Fiquei o dia inteiro em casa, assistindo a porcaria da televisão e comendo. Estava virando uma porca gorda, só sabia comer. Academia pra que? Se posso ficar em casa me deliciando com uma suculenta barra de chocolate? E caso acabe, tenho uma caixa de bombons ainda – aquela caixa!
Enfim, foi um dia muito improdutivo, tirando a reportagem que assisti não teve nada de marcante esta tarde. Eu já estava muito feliz com o meu desempenho, não me sentia aflita fazia dias. Estava começando a voltar a ser como antes. Meu coração estava desacelerando vagarosamente, comecei a me sentir livre do passado. Amém.
Após o dia inteiro ficar deitada, fui dormir. Afinal amanha seria um dia muito corrido e feliz, era dia das crianças e nós visitaríamos a creche, fantasiados de palhaços.
Algo muito estranho me aconteceu quando me deitei, as cortinas subiram muito com o vento lá de fora, junto com aquele assopro me veio um arrepio e tristeza, muita tristeza. Foi inexplicável. Fechei a janela depressa – credo não queria tomar opinião sobre aquilo.