5.28.2009

"Eu tentei. Eu juro que tentei e que sigo tentando esquecer. Não você. Não você, não o seu jeito de me amar e muito menos tudo o que você fez por mim durante o breve tempo que passamos juntos. Eu tentei esquecer que foi necessária uma ruptura muito violenta nessa história, que causou sim muito esclarecimento, muita lucidez, muita compreensão, auto-conhecimento e aceitação, mas que em igual proporção já me trouxe dor demais.

E sabe o que dói mais? Saber que meu coração ainda pertence a você, te levar em tudo o que eu faço e ver o que não temos vivido: tudo que eu poderia estar fazendo por você e pra você, tudo o que eu sinto e tenho sido obrigada a omitir e reprimir pra não interferir na sua vida ou não atrapalhar seus planos.
Será que eu ainda te desoriento? Eu olho no fundo dos seus olhos que me fitam tão sinceros e vejo o que você tem por dentro, como você está e o que você quer no segundo seguinte. Pelo menos era assim. Agora são só dúvidas. Será que alguém consegue ver isso? Não. Com toda a certeza do mundo, ninguém. Não há quem seja um pouco do que você era para mim. Ninguém consegue dar metade dos seus olhares e falas e mexidas no cabelo e risadas e lágrimas e sinceridades e brigas e erros e acertos e um polissíndeto desse tamanho e amores que são só seus. Só nossos. Eu não quero saber o que há na sua vida, quero saber se aindaexisto nela. Dúvidas que não vão ser respondidas tão cedo, eu sei. Só não tente me enganar, não minta para mim, eu não sou boba.
Enquanto isso, espero alguém que tire todo esse peso e que me mostre um lado mais bonito, porque eu ainda acredito no amor. Alguém que queira falar comigo as duas da manhã, alguém que pense em mim nos domingos chuvosos, nos sábados a tarde, nas sextas, todos os dias da semana, alguém que queria ficar só comigo na balada, que brinque de censurar meu vestido, que não tenha muito ciúme, mas sim mãos quentinhas e muitos bolsos. Alguém que me deseje de todas as formas possíveis, que me ame muito. Alguém que ainda assim, com as melhores qualidades e os piores defeitos existentes, não vai ser você.
Por que só amor não é suficiente?"

5.20.2009

Difícil são os fins de sábados, fins de noites, fins de festas, todos os fins, onde sempre faz falta. Não sei necessariamente se é você ou o que eu criei em você, mas algo falta. Nessas horas em que ninguém substitui, eu não quero falar com ninguém, eu quero tua presença.
Não quero mais brincar de gente grande, de responder por todos meus atos. Fácil é dizer que estou cagando pra você, que não me importo com o que você faz, não ligo pra o que você come, o que você bebe, com quem você está agora. Impossível fingir, pior ainda assumir que quando você some parece que o mundo inteiro sumiu com você, e que estou sozinha. Completamente sozinha. Todo o lado positivo de estar sozinha me derruba em um milésimo de segundo quando eu lembro que posso desligar meu celular na sexta-feira, ou deixá-lo sem bateria, dormir às dez da noite e acordar doze horas depois porque ninguém vai sentir minha falta, e no fundo no fundo tudo isso é tão egoísta e medíocre que eu me torno um alfinete: querendo toda a atenção do mundo só para mim. Atenção que você não pode me dar, não quer. Atenção que você dirige para qualquer joguinho idiota que lhe faça sentir vivo e que levante sua auto-estima, que só te faz ficar igual à eles. Eles não entendem nada, eles nunca vão saber.
Então num jato de intensidade eu assumo: não sei jogar. Não sei negar como você o que eu sou para ser o que eles querem que eu seja, não é meu dom representar. Não sei olhar pra você sem um pouco de culpa, de mágoa, de sentimento, de dúvida, ao me questionar se ainda há espaço para mim na sua vida.
Sabe amor, eu não me importo que você me substitua por trezentas, desde que eu não me torne apenas mais uma. "Quando a gente deixa de ser aquela para se tornar apenas mais uma dá vontade de não ser mais nada e sumir." Eu nunca vou te substituir. Posso encontrar um mais forte, um que beije melhor, que seja mais inteligente, mas ninguém vai ser você. E aí então eu te amo tanto tanto tanto, que nem te amo mais. O cansaço dos dias sem você se tornaram tão normais que eu acostumei, não sinto nada. Não sei se rezo pra nunca mais te encontrar, ou pra te encontrar todos os dias da minha vida. Agora, por favor, eu juro, qualquer coisa que me faça sentir um pouco melhor serviria.
Me dá uma dica do que fazer, eu por mim não sei nada. Eu só quero o que é certo, me diga o que é certo, porque, "daqui a seis anos, ou, quem sabe, 60, eu não quero lamentar ter perdido alguém por simplesmente não ter dito o que eu sentia." E eu nunca quis te cobrar satisfações ou justificativas. Eu queria a tua cumplicidade. Mas deixa pra lá, agora eu não quero mais nada. Você não me dá mais nada. Só deixa eu te contar que ontem me deu uma vontade de chorar imaginando com quem eu estarei ano que vem ou no outro, num sofá bem grande - caberiam uns quatro casais da gente lá, eu acho - enquanto chove, dividindo um copo de leite de nescau, nessa crise ridícula de um mundo que quer ser mais do que pode, com alguém que eu não tenho a menor idéia de quem vai ser, mas que eu queria que fosse você. Quero, ainda. Deve ser isso, eu quero mais do que eu posso. Pra terminar, eu não chorei, segurei firme e não chorei, vergonhoso chorar por uma pessoa que eu nem sei se existe mais.

5.08.2009

Eu idealizei minhas palavras e nosso diálogo foi fútil, como os outros que criaremos algum dia desses. Você não disse nada, eu não disse nada, mas significou muito para mim. Você ainda é muito pra mim. Mesmo que suma rápido demais. Mesmo que todos os meus cacos estejam colados e devidamente encaixados. Eu quebraria a cara milhares de vezes, querendo ou não, você ainda vale muito a pena. Não só a pena, como a fronha, o algodão, meu travesseiro inteiro.
Embora ainda doa essa sua ausência e falta de notícias e suas substituições e tudo que eu tento excluir de você, por mais que eu não te ame sempre, por mais que eu nem te ame, porque se isso fosse amor eu ia querer te ver bem, não longe, você tem uma força dominante sobre mim inexplicável, capaz de me mudar sem mexer uma colher. E eu querendo que você mexa o faqueiro inteiro.
Incoscientemente ou de propósito, minha cabeça martela que não é você, não pode ser você, se fosse você, não seria quilômetros e silêncios e mágoas. Meu coração, que não combina comigo, insiste em te pregar na parede da minha sala de estar e te colar com super-bonder e te deixar ali. Teima comigo tentando me convencer que amor não é escolha, e eu digo 'sim, é escolha. e sentimento eu não quero nenhum, sai daqui.' Mas ele já te colou há tempos ali e não há um descolante à venda no mercado. Então eu fico assim... assim.
Você me comunica que tá vivo e tá bem e que é pra mim ficar feliz. Eu sou feliz. E você vai embora e o ciclo começa tudo de novo. Rezo pra isso terminar, eu tô cansada, quero acordar sem nada, po. Peço pra roda gigante parar que eu quero descer e ela me dá calmaria. Até quando?
Não gosto do morno e tá chegando inverno, quero uma lareira, um cobertor, um chocolate quente pra me esquentar. Ou também pode ser você.

5.07.2009

É muito mais escuro quando a luz se apaga do que seria se ela nunca tivesse se acendido.
Há dias me controlo para não vir aqui e dizer qualquer coisa sobre nós, qualquer coisa, eu e essa mania de achar que pode mudar tudo. Mas não sei, não sei o que me fez falar tudo isso, porque nunca soube formular direito meus sentimentos e agora sei, de uma maneira dolorosa. Eu sinto sua falta e não carrego mais nenhuma forma de esperança com respeito ao casal de novembro, com respeito ao casal da formatura, com respeito ao casal de antes, muito antes. No nosso último encontro eu te abracei muito forte, muito mesmo e recordo que pensei no momento em que te sentia "o melhor abraço do mundo", e você comentou sobre o abraço e eu só sorri. Não sei se irá compreender, mas parecia que meu corpo pressentia, mas minha mente não acompanhava, era um abraço de despedida, de quem tenta me mostrar o que é o certo e o lado bom da vida. Mas estou conseguindo me afastar dessas lembranças, só que ás vezes, não tem como, eu me deixo levar e fico lembrando de como era bom. Como agora, agora que estou prestes a sair de casa, urgente. Estou aqui escrevendo, sobre nós, nós. Essa palavra agora soa solitária pra mim. Eu e eu.
Bem sei que não é fácil deixar tudo que um dia eu idealizei pra mim, mas como diz Tati Bernardi, você me ensinou que o mundo pode ser uma grande, imensa e gigantesca merda. Só se eu deixar. E não vou ficar tentando demonstrar minha felcidade, porque comprovar isso é para quem quer se iludir com uma felicidade irreal, que não tem. E as coisas são muito reais para mim agora. Eu não escolhi o caminho mais fácil, mas acho que quanto maior a dificuldade maior a recompensa. Nós dois já acabou há muito tempo, você sabe. Nós já estamos em Maio e não há nada que possa ser feito. Não temos todo o tempo do mundo, tampouco temos tempo.
Só queria que você soubesse que ainda significa muito para mim. De verdade. Mas me deixa. Se tem uma coisa que eu aprendi é que não há porque voar longe se não há para onde voltar.
Já não pago um preço tão alto por tão pouco. Faço questão de me lembrar o tempo todo. O preço é meu, o problema teu! Cresça o quanto for. Choro o que não me cabe dentro e sangro em todas as cores. Meu mundo é colorido. Até sequei por dentro. Não vivo pela metade o que é inteiro. Você foi quem não quis entender que o mundo era de nós dois. Então não volta nunca mais.
Verdade seja dita. Eu não sou como você esperava. Eu não sou uma loira -barbie pra te acompanhar nas festas jet-setters que você freqüenta. Eu não tenho um par de peitos de 300ml de silicone em cada um. Não tenho uma bunda de 102cm de diâmetro como a da Juliana Paes. Eu sou muito mais do que você espera. Muito mais do que você agüentaria. E talvez até mais do que você merece.
Porque eu sou fiel aos meus sentimentos. Vou estar com você quando eu realmente quiser estar. Vou te ligar quando eu quiser falar com você. Porque eu não passo vontade. E nem vou passar vontade de você. Não vou fazer joguinho. Eu me entrego mesmo. Assim. Na lata. Eu abro meu coração. Rasgo o verbo. Me dou em prosa. E se te disser que não te quero, meu olhar vai me desmentir na tua frente. Porque eu falo antes de pensar. Eu falo até sem sequer pensar. Eu penso falando. E se estou com você, aí, não penso duas vezes. Não penso em nada. Não quero mais nada.
Então, não perca seu tempo comigo. Eu não sou um corpo que você achou na noite. Eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer. Eu não preciso do seu dinheiro. Muito menos do seu carro. Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. Das suas mãos quentes. Do seu colo pra eu me deitar. Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com presentes caros. Não, eu não estou à venda. Eu não quero saber onde você mora. Desde que você saiba o caminho da minha casa. Eu não quero saber quanto você ganha. Quero saber se ganha o dia quando está comigo.
Você não vai me ver mentir. Desista. Mentiria sobre a cor do meu cabelo. Sobre minha altura. Até sobre meus planos para o futuro. Mas não vou mentir sobre o que eu sinto. Nem sob tortura. Posso mentir sobre minha noite anterior. Sobre minha viagem inesquecível. Mas não agüentaria mentir sobre você por um segundo. Não na sua cara. Mentiria pras minhas amigas sobre a sua beleza. Diria que tem corpo de atleta e um quê de Don Juan (mesmo sabendo que elas iriam descobrir a farsa depois). Mas não me faça mentir e dizer que não te quero. Que eu não estou na sua. Não me obrigue a jogar. Não me obrigue a dizer “não” quando eu quiser dizer “sim”. Não me faça tirar você da minha vida porque meu coração ainda acelera quando você me liga.
Insisto. Não perca seu tempo comigo. Porque eu não quero entrar no seu carro se não puder entrar na sua vida. Não me conte seu passado se eu não puder viver seu presente. Não faça planos comigo se não me incluir no seu futuro. Não me apresente seus amigos se, amanhã, vou virar só mais uma. Me poupe do trabalho de adivinhar seus pensamentos. Diga que me quer apenas quando for verdade. Diga que está com saudade apenas se sentir minha falta do seu lado. Peça minha companhia quando não desejar só meu corpo. Me ligue quando tiver algo pra dizer. Mas, por favor, me desligue quando não estiver mais afim de mim.