"Nem todo dia tem sol, nem toda comida é saudável, nem todo sorriso é alegria, nem sempre é legal ser sozinha, nem sempre há vontade às cinco da manhã. Agora, aqui, às 5:07, uma vontade de viver, mas sozinha. Com vontade de estudar, mas sozinha. Vontade de sair, comer, dormir, tudo sozinha. É sempre assim. E o mundo não entende que eu quero tudo, menos ser sozinha. O mundo não entende que eu não quero ninguém por meia hora, por duas horas, ninguém vê que eu chego e vou embora sozinha. E vazia. Porque na hora, você só pensa em aproveitar, aumentar seu ego e mostrar pra todo mundo que sim, você pode beijar todos aqueles caras, mesmo sabendo que no final não vai dar em nada.
Eu quis tanto deixa de ser burra. Quis tanto que consegui. Agora eu imploro, só mais um pouquinho sem amor, sem abraço, sem mãos dadas, por favor. Me deixa ser livre, me deixa saber que não sou de ninguém, me deixa ter a sensação de não amar. Ainda que isso seja podre demais. Tudo amargo. Então eu quero tanto saber que tem alguém me esperando em casa, alguém que vai passar o dedo no peito da minha mão e dizer que tudo bem eu me sentir perdida às vezes. Alguém que vai mostrar que temos todo o tempo do mundo, como se o tempo estivesse parado. E o tempo não tá parado. Impossível não olhar pra trás e ver todas as minhas possibilidades afundadas. Aquele um tão bobo, mas que me fazia rir tanto, adorava passar minhas tardes com ele. Aquele outro, que depois daquele dia, depois daquele dia nunca mais precisou de mim, embora eu ainda precise dele, de vez em quando. Era ele meu braço direito, que me ouvia falar horas e horas das minhas revoltas e raivas e no final, mesmo sem falar nada, me deixava num alívio enorme. Como eu preciso dele agora. Reduzido a duas ou três palavras frias e sarcásticas, esmagado, destruído, apodrecido.
Tão podre ver que depois não ouve mais ninguém, ninguém. Tão podre ver esses casaizinhos que brincam de ser seus, e eu aqui querendo tanto brincar de ser de alguém.
Eu achei que quase fosse forte o suficiente, mas meu Deus, eu não sou. Eu não sei querer apenas uma dose, eu quero virar o copo inteiro, quero ficar bêbada, absorver tudo, quero que cada célula do meu corpo inche, sem ter que vomitar tudo depois. Sem ter que perder uma parte do meu fígado, para estar inteira quando você chegar. E onde está você? Seja você. Seja você o homem da minha vida, se é que existe homem na minha vida. Seja você quem vai desfazer o nó, abrir as cortinas e me mostrar o mundo lá fora. Eu não quero descobrir sozinha, porque numa dessas, talvez eu nem volte mais.
Eu quis muito não amar, não gostar, não mandar na vida, estancar todas as feridas, corrigir as cicatrizes, mas isso não dói. Embora todo o mundo doa, dói muito mais em mim não ter a quem amar." let it me go.
7.14.2009
"eu fecho meus olhos apenas por um momento e o momento desaparece, todos os meus sonhos passam na frente dos meus olhos, uma curiosidade. a mesma velha música, apenas uma gota de água num mar sem fim. tudo o que nós fazemos despedaça-se no chão embora nos recusemos a enxergar.. não se segure, nada dura para sempre a não ser a terra e o céu.
poeira no vento, tudo o que somos é poeira no vento."
poeira no vento, tudo o que somos é poeira no vento."
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